O perigo virtual (e real) de brincadeiras como o ‘desafio da rasteira’

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É um novo fenômeno — que, para variar, nestes tempos virtuais, se alastra pela internet. Com a câmera do celular gravando tudo, dois colegas chamam um terceiro para se posicionar, de pé, entre eles. Apoiam uma das mãos em seu ombro e dão um salto. Em seguida, convidam o do meio a fazer o mesmo. E, quando ele está perto de tocar o chão, aplicam-lhe uma rasteira. Às gargalhadas, a dupla dispara: “Faça isso com o seu amigo e posta aqui pra gente ver!”. O vídeo vai, então, para as redes sociais.

A brincadeira de mau gosto explodiu em fevereiro, impulsionada pelo youtuber brasileiro Robson Calabianqui, o Fuinha, que tem mais de 2 milhões de seguidores. No início do mês, ele postou um vídeo com o “desafio da rasteira”, no qual, auxiliado pelo irmão, derrubava a própria mãe. Milhares de crianças e jovens, inclusive de outros países latinos, acharam a coisa divertida — e a brincadeira, também chamada de “quebra-crânio”, rapidamente se tornou um viral. Com igual velocidade, no entanto, começaram a surgir na web alertas de que aquilo poderia provocar lesões graves e, dependendo do impacto, até a morte. Diante da repercussão negativa, Fuinha retirou o vídeo da discórdia do ar e fez um pedido de desculpas.

DIVULGADOR – O youtuber Fuinha, que conta com mais de 2 milhões de seguidores: vídeo de golpe aplicado na própria mãe e pedido de desculpas./.

Era tarde — a situação já estava fora de seu controle. Na semana passada, uma mensagem inundou os grupos de WhatsApp de pais, famílias, professores e colégios. “Fiquem atentos às escolas onde seus filhos estudam, pois está circulando um trote aberrante”, alertava o texto, que se referia a casos de fratura craniana e óbitos. Como em outros episódios que envolvem desafios para a garotada, entre eles o da Baleia Azul e o da Momo, para citar só os mais recentes (leia detalhes no quadro da página ao lado), nem tudo o que se disse até agora sobre o tal desafio da rasteira é verdadeiro — no meio das reações há também fake news.

Um exemplo é a história de uma suposta vítima que morreu por causa da nova brincadeira. A tragédia teria ocorrido em Mossoró (RN). Embora a notícia tenha sido compartilhada muito recentemente, o caso aconteceu em novembro de 2019 — e nada teve a ver com o desafio da rasteira. A estudante Emanuela, de 16 anos, aluna da 9ª série do ensino fundamental, aceitou participar de outro tipo de jogo, que consistia em ser girada como uma “roleta humana”, nos braços entrelaçados de dois amigos, e tentar cair de pé. Tonta devido ao rodopio, a jovem acabou batendo a cabeça no chão e não resistiu à pancada. Naturalmente, o fato de o desafio da rasteira não ter resultado em nenhuma morte em nada reduz a ameaça representada por brincadeiras desse tipo — ao contrário. Assim, todo o cuidado é pouco.

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Uma pesquisa da consultoria especializada TIC Kids Online — que entre outubro de 2018 e março de 2019 entrevistou 3 000 famílias brasileiras com filhos entre 9 e 17 anos a respeito de seus hábitos digitais — revelou que 16% da garotada disse ter assistido na internet a vídeos sobre jogos e atividades capazes de lhe provocar lesões. Pior: 14% haviam tido contato com conteúdo que mostrava como cometer suicídio. O fator agravante é que, na adolescência, o córtex pré-frontal — a área do cérebro responsável pelo controle da impulsividade e pela avaliação dos riscos de cada ação — ainda não está plenamente desenvolvido. Isso significa que, de saída, o público infantojuvenil, justamente o alvo principal de brincadeiras on-line marcadas pela imprudência, é o que se encontra mais vulnerável a elas.

A viralização de vídeos com o desafio da rasteira fez deslanchar nos últimos dias uma campanha que pede atenção para o problema. Em um dos vídeos, meninos e meninas fingem que vão aplicar o golpe em um colega. Na hora H, interrompem o jogo e mandam o recado, que, no fundo, traduz o clamor por uma responsabilidade maior no uso das redes sociais: “Isso não é brincadeira. Isso não é legal”. Não mesmo: o perigo virtual é real.

Publicado em VEJA de 26 de fevereiro de 2020, edição nº 2675

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