Orientação política pode ser deduzida a partir de foto de perfil

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Embora todos saibamos que não é uma boa ideia, é impossível não julgar uma pessoa à primeira vista. Seja por razões evolutivas ou culturais, estamos acostumados a partir de características físicas para formar ideias sobre os outros. Mas não somos necessariamente bons nisso — afinal, quem nunca errou quanto à primeira impressão de alguém? Boa mesmo é a tecnologia.

Um novo estudo da renomada Universidade Stanford publicado no último dia 11 acaba de levar a discussão para um novo patamar. A pesquisa revelou que algoritmos computacionais especializados no reconhecimento facial podem ser bastante precisos na hora de intuir a personalidade de um indivíduo — mais especificamente, sua posição política — com base na análise de suas fotos de perfil nas redes sociais. 

Os cientistas coletaram fotografias de mais de um milhão de pessoas em países como Estados Unidos e Reino Unido que foram publicadas no Facebook e em mídias específicas para relacionamentos online. Como resultado, eles constataram que os algoritmos são precisos em 72% dos casos na hora de separar os indivíduos entre progressistas e conservadores. A taxa é muito maior do que o simples acaso, segundo o qual os acertos ocorreriam em 50% das vezes.

Vale lembrar que outras pesquisas já haviam demonstrado que, enquanto a habilidade humana de intuir o sentimento de outrem a partir de imagens tem precisão de 55%, enquanto inteligências artificiais alcançaram níveis muito maiores, de 83%.

Levando em conta a descoberta de que algoritmos conseguem intuir a posição política de indivíduos a partir de fotos, existem fatores demográficos que devem ser levados em consideração, como, por exemplo, o fato de que minorias tendem a ser mais progressistas do que conservadoras. Entretanto, mesmo com o controle de aspectos como idade, sexo e etnia, a porcentagem de acerto das máquinas ficou em cerca de 69%.

É importante assinalar que os resultados do estudo não sugerem que progressistas e conservadores têm rostos únicos e diferentes, mas sim que, provavelmente, eles se apresentam de forma distinta na hora de tirar uma foto de perfil. 

Mas a principal conclusão da pesquisa é simples: mais do que identificar indivíduos, o reconhecimento facial pode identificar suas características dos mais diversos tipos e até inferir suas emoções. Trabalhos anteriores já publicados apontam que a análise de imagem pode descobrir até mesmo a orientação sexual de uma pessoa. 

De acordo com Michal Kosinski, professor da Escola de Negócios da Universidade Stanford (EUA) e um dos autores do estudo, outra constatação possibilitada pela pesquisa é a de que existe um grande risco à privacidade e às liberdades civis. Em um mundo onde há câmeras por todo lado, é impossível garantir que imagens e fotografias não serão analisadas sem o consentimento do indivíduo e usadas para fins escusos — sobretudo levando em conta o fato de que grande parte das fotos de perfil é pública.

Assim, Kosinski afirma que o objetivo do estudo é avisar a sociedade contra os perigos dessas tecnologias. “Esperamos que acadêmicos, criadores de políticas públicas, engenheiros e os demais cidadãos notem o nosso trabalho”, disse a VEJA.

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