Quem executaria um ataque terrorista ao Facebook?

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O medo se espalhou ontem pela sede do Facebook na Califórnia. Um pacote foi detectado com sarin, potente e fatal arma química comumente usada por terroristas. Chegou-se a espalhar o boato que dois funcionários teriam sido contaminados. Quatro prédios foram evacuados. Hoje, o FBI noticiou que na verdade nada havia de perigoso no pacote. Tratava-se de um falso positivo. Uma pergunta, no entanto, permanece: quem teria interesse em atacar o Facebook? Pela dimensão da segurança em torno da empresa, capaz de detectar tóxicos em sua correspondência e com agilidade para responder a ameaças terroristas, indica-se que existe temor em relação a quaisquer possíveis agressões.

Tive indícios de respostas à dúvida em visita realizada ao Facebook na última semana de maio e que rendeu esta reportagem publicada no início de junho em VEJA (além de dois posts deste blog, esse e esse, e um vídeo). Fui então um dos poucos jornalistas a ter acesso a um centro de monitoramento de conteúdo da rede social. No prédio que visitei em Barcelona (Espanha), uma tropa de funcionários terceirizados se encarregavam de monitorar o que nós publicamos no Facebook – e, se havia algo contra as regras (conteúdo falacioso, mensagens de discurso de ódio etc.), possuem o poder de deletar o post ou mesmo o perfil inteiro de um usuário.

Uma das condições para a visita era manter todos os revisores ouvidos em anonimato. Outra (mesmo que esta tenha sido depois burlada por uma das jornalistas presentes): em nenhuma hipótese revelar o endereço exato do escritório em Barcelona. A justificativa era direta, transparente e evidente: o receio de o local se tornar alvo de ataques terroristas.

Seria exagero? Poderiam mesmo tomar atitudes extremas contra funcionários de uma empresa do Vale do Silício? Não, não é exagero. Sim, o Facebook – e, destaca-se, os revisores de conteúdo – tem muitos e muitos inimigos que poderiam adotar posturas radicais.

A rede de Mark Zuckerberg – em reação a críticas pesadas em efeito de condutas falhas, por vezes de índole duvidosa – exibiu nos últimos anos uma dura campanha contra movimentos de extrema direita, supremacistas brancos, manipulações políticas, grupos terroristas, criminosos de toda sorte (pedófilos, traficantes de armas e drogas…). Desde o ano passado vem expulsando, aos montes, neonazistas, racistas e outros frutos do esgoto da humanidade. Derruba, no mais rápido possível, vídeos de grupos terroristas como os do Estado Islâmico – mesmo que por vezes haja falhas, como a transmissão ao vivo (um live) do ataque de um lobo solitário a mesquitas na Nova Zelândia, resultando em 51 mortos, em março último.

O Facebook tem assim anunciado uma guerra. Uma que abrange a caça desses extremistas. Mas também situações de menor escala. Posts de machistas, que depreciem mulheres, por exemplo, são deletados. Assim como assédios morais a outros usuários, tentativas de humilhar conhecidos e desconhecidos, mensagens xenófobas e homofóbicas.

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Em resumo: o Facebook tomou uma posição nos últimos tempos e optou por enfrentar o que os próprios revisores que trabalham para a companhia definem como “o pior da humanidade”, “a sujeira”. Em consequência, é natural o receio de que um desses inimigos resolva retrucar da maneira com a qual estes já parecem estar habituados a lidar com o mundo, os outros, os diferentes deles mesmos: com truculência, brutalidade, violência.

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